É, outra vez, uma pintora chamada Josefa… Acerca dos textos da exposição no Museu de Arte Antiga

Exposição “Josefa de Óbidos e a Invenção do Barroco Português
Lisboa, Museu Nacional de Arte Antiga, 16 maio – 6 set. 2015

É a primeira vez que, neste blogue, escrevo duas vezes sobre o mesmo assunto. E não o faria se a Maria Vlachou não me tivesse referido – em comentário público no Facebook – que a experiência que teve nesta exposição não era assim tão positiva como a contava em Era uma vez uma Era uma vez uma pintora chamada Josefa. Acontece que Maria Vlachou é voz creditada em assuntos de comunicação cultural ((Dispensa apresentações, mas é a fundadora e diretora da Acesso Cultura e autora do blogue Musing on Culture.)) e as sua opiniões nesta matéria merecem ser ouvidas, até porque é das poucas pessoas entre nós a refletirem publicamente sobre isto.

Eu gostei da exposição; os “meus adolescentes”, que costumo usar como barómetro da eficácia comunicativa dos museus ou das exposições a que vamos, também gostaram a ponto de perder a noção do tempo.

Exposição "Josefa de Óbidos": entrada Museu Nacional de Arte Antiga Foto: MIR, 2014

Exposição “Josefa de Óbidos”: entrada
Museu Nacional de Arte Antiga
Foto: MIR, 2014

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Era uma vez uma pintora chamada Josefa…

Exposição “Josefa de Óbidos e a Invenção do Barroco Português
Lisboa, Museu Nacional de Arte Antiga, 16 maio – 6 set. 2015

A exposição “Josefa de Óbidos e a Invenção do Barroco Português” é mais do que a apresentação da pintora e da sua obra. A propósito desta exposição, apetece dizer “era uma vez”, porque aqui se conta uma história, entre tramas e contextos que se cruzam, narrativas que se sucedem acerca dos seus lugares, dos tempos, das relações e das referências que construíram a vida e a arte de Josefa de Óbidos.

Há muito tempo que não gostava tanto de uma exposição. E devo confessar que não sou (ou não era) apreciadora de Josefa de Óbidos, apesar da revelação iniciada por Nuno Vassalo e Silva, numa visita sem pressas, em 1991, na Galeria D. Luís, já deserta após o fecho da exposição. Mesmo assim, não consegui ultrapassar o preconceito acerca de uma pintura aparentemente monocórdica e ingénua, com uns Meninos corados, de corpinho rechonchudo percetível sob a camisinha rendada, barros decorados com laços de seda e cestas de flores e frutas…

Menino Jesus, Salvador do Mundo (3) Exposição "Josefa de Óbidos..." Foto: MIR, 2015

Menino Jesus, Salvador do Mundo (3)
Exposição “Josefa de Óbidos”
Museu Nacional de Arte Antiga
Foto: MIR, 2015

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“Título, autor e data”: o que diz uma tabela?

A comunicação no museu passa pela decifrar o que está exposto. Mas pode uma tabela (( Tende a generalizar-se a designação tabela – há tempo, numas provas de mestrado, o arguente advertiu o aluno para o “erro” de designar “legenda”, um termo desatualizado, em vez de “tabela”. Não obstante, legenda significa, etimologicamente, “as coisas que são para ler, que devem ser lidas” e pode designar a informação escrita que informa, comenta ou ajuda a interpretar uma imagem, pelo que a sua aplicação em contexto museológico não pode ser considerada errada. )) com o registo do “título, autor e data”, por vezes, com o material e as dimensões, traduzir o significado da obra? Permitem, estes dados, descodificar o sentido da obra?

A informação, mesmo quando sucinta e redutora, pode ser redundante e inexpressiva. “Autor desconhecido” pode ser pertinente enquanto não-informação, ou seja, onde é a ausência dos dados o elemento significativo, mas será este um dado definitivo para a compreensão da obra? Também a referência à data, embora a situe numa linha cronológica, fornece, ao visitante comum, alguma informação sobre o contexto em que obra foi criada, ou sobre a complexidade de sistemas culturais, ideológicos, sociais, económicos, que a determinaram a ser daquela, e não de outra, forma?

Tabela da custódia de Belém no Museu Nacional de Arte Antiga Foto: MIR, 2014

Tabela da custódia de Belém no Museu Nacional de Arte Antiga (MNAA)
Foto: MIR, 2014

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O Museu de Arte Antiga em discurso direto

Tenho, com o Museu Nacional de Arte Antiga (MNAA), uma antiga relação de amor. Como muitas relações de amor duradoras, também esta é um contínuo desenrolar de encontros e desencontros, de amuos e reconciliações, de exigências e desilusões.

Lisboa, Museu Nacional de Arte Antiga

Lisboa, Museu Nacional de Arte Antiga

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Tanto esplendor e glória para tão pouco contar

Exposição “Splendor et gloria: Cinco joias setecentistas de exceção
Lisboa, Museu Nacional de Arte Antiga, 24 set 2014 – 4 jan. 2015

O título da exposição Splendor et gloria: Cinco joias setecentistas de exceção, no Museu Nacional de Arte Antiga (MNAA) sugere e sublinha que esta é uma oportunidade rara. As notas oficiais confirmam o estatuto de singularidade – quer do procedimento museológico, quer da qualidade das peças expostas – através de uma adjetivação superlativada: “Um dos mais ambiciosos projetos do MNAA”, “o esplendor artístico”, “obra-prima”, “dois artistas excecionais”, “peças de exceção”, “um acervo a todos os títulos excecional” (MNAA, 2014a). Nuno Vassallo e Silva, Diretor Geral do Património Cultural, concorre a este discurso laudatório, afirmando que “as peças de assinalável importância artística e patrimonial, são de incontestável primeira água […], fazendo desta exposição uma das mais importantes alguma vez realizada pelo Museu das Janelas Verdes, sob a direção de António Filipe Pimentel” (MNAA, 2014b, p. 9).

Exposição Splendor et gloria Foto: MIR, set. 2014

Exposição Splendor et gloria
Foto: MIR, set. 2014

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Museus e tecnologia: uma realidade a dois ritmos

Uma deambulação pelas salas do Museu Nacional de Arte Antiga faz-se com uma reconfortante impressão de constância: são aquelas as obras que nos acostumámos a ver ao longo de décadas; são as mesmas salas, com as portas abertas numa sucessão quase infinita; é a mesma atmosfera familiar. E, no entanto, faz-se também com a grata descoberta de algum refrescamento: de repente, apercebemo-nos de outra sequência, uma peça que não nos lembrávamos de ver ali, uns suportes que foram renovados, a sugestão implícita de um novo percurso.

Lisboa, Museu Nacional de Arte Antiga Foto: MIR, 2014.

Lisboa, Museu Nacional de Arte Antiga
Foto: MIR, 2014.

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Os tesouros da Casa de Saboia em Lisboa

Exposição “Os Saboias. Reis e Mecenas (Turim, 1730-1750)
Lisboa, Museu Nacional de Arte Antiga, 17 maio – 28 set. 2014

A exposição chega ao fim no próximo domingo, coincidindo com as Jornadas Europeias do Património, o que faz prever um epílogo com grande afluência, na sequência da popularidade alcançada ao longo dos últimos meses.

Vista da antiga ponte sobre o Pó, em Turim, de Bernardo Bellotto. Foto: Público, Sandra Ribeiro.

“Vista da antiga ponte sobre o Pó”, em Turim, de Bernardo Bellotto.
Foto: Público, Sandra Ribeiro.

Na sequência da exposição “Rubens, Brueghel, Lorrain: A paisagem do Norte no Museu do Prado“, também esta decorre igualmente da parceria entre o Museu Nacional de Arte Antiga (MNAA) e a empresa Everything is New, que assegura o investimento inicial, a museografia e a comunicação, tendo em contrapartida a receita da bilheteira até um montante previamente acordado, a partir do qual se reparte a 50% com a Direção-Geral do Património Cultural (DGPC). De acordo com os dados publicados no sítio eletrónico da Everything is New, a exposição já foi vista por mais de 19.000 visitantes, muito aquém, portanto, dos 80.000 que viram a exposição do Prado.

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