O dilema do museu: permitir, regular ou proibir?

O museu nasceu com o duplo propósito de constituir um repositório da identidade cultural de território – na mesma altura em que também se firmava o conceito de nação e intensificava o desejo imperialista – e de torna-lo acessível a toda a sociedade. O museu tornou-se, assim, um espaço onde as classes mais baixas, pelo menos teoricamente, podiam usufruir de um património que até então tinha sido privilégio exclusivo da aristocracia, do clero ou da alta burguesia. Por conseguinte, o museu instituiu-se como um espaço de prestígio social e cultural, a par do consumo de outros produtos culturais considerados eruditos, como o teatro, a música, o bailado e a ópera.

Mostra Vaticana, 1888.

Mostra Vaticana, 1888.

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Mérito e demérito entre o museu e o público

(Estas são opiniões incoerentes e politicamente incorretas)

Passar pelo museu não significa ver as obras expostas e, muito menos, compreender o que está exposto. Porque o museu continua a ser um espaço de eleição e de elites; porque o museu continua a ser um espaço sacralizado, cujo percurso se faz com a regularidade de um rito; porque o museu mantém um registo monológico, cumprindo as atribuições enquanto emissor da mensagem sem fundamentar a função comunicativa na relação que estabelece com os públicos-recetores.

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No museu: da interdição à emoção

“Ne pas toucher, ne pas courir, ne pas parler : les expositions sont souvent le lieu de toutes sortes d’interdits.” (Lequeux, 2014, 28 fev.)

A frase abre um artigo de Emmanuelle Lequeux, publicado no Le Monde, acerca da exposição “Des choses en moins, des choses en plus” (Paris, Palais de Tokyo à Paris, 14 de fevereiro – 2 de março 2014).

Não tocar, não correr, não falar…

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