Narrativas da coleção SEC e o Museu do Chiado

O Museu de Arte Antiga em discurso direto

Tenho, com o Museu Nacional de Arte Antiga (MNAA), uma antiga relação de amor. Como muitas relações de amor duradoras, também esta é um contínuo desenrolar de encontros e desencontros, de amuos e reconciliações, de exigências e desilusões.

Lisboa, Museu Nacional de Arte Antiga

Lisboa, Museu Nacional de Arte Antiga

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O dilema do museu: permitir, regular ou proibir?

O museu nasceu com o duplo propósito de constituir um repositório da identidade cultural de território – na mesma altura em que também se firmava o conceito de nação e intensificava o desejo imperialista – e de torna-lo acessível a toda a sociedade. O museu tornou-se, assim, um espaço onde as classes mais baixas, pelo menos teoricamente, podiam usufruir de um património que até então tinha sido privilégio exclusivo da aristocracia, do clero ou da alta burguesia. Por conseguinte, o museu instituiu-se como um espaço de prestígio social e cultural, a par do consumo de outros produtos culturais considerados eruditos, como o teatro, a música, o bailado e a ópera.

Mostra Vaticana, 1888.

Mostra Vaticana, 1888.

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As 10 publicações mais lidas em 2014

1 Imagens deturpadas 2726 WordPress
2 A arte ainda existe? 627 Hypotheses
3 “Aqui se começa”: notícia do achamento de fragmentos do Livro da montaria de João I de Portugal 485 Hypotheses
4 O revés do património ou a vã glória de um marquês benfiquista 451 WordPress
5 Metropolitan Museum of Art: a disponibilização do acervo em linha e outros desvios à norma 449 Hypotheses
6 Quando o falso se confunde com o verdadeiro 428 Hypotheses
7 Museu da Maré, museu de favela, museu de nós 411 Hypotheses
8 O resplendor e a glória da imagem do Senhor Santo Cristo dos Milagres 375 Hypotheses
9 O turismo, sob o desígnio da cultura 318 Hypotheses
10 Tanto esplendor e glória para tão pouco contar 316 Hypotheses

Um ano de a-muse-arte

No final de 2014, o blogue a-muse-arte cumpre o primeiro ano.

Iniciar um blogue sobre temas de museologia foi um propósito de ano novo. O nome escolhido não era óbvio, remete para pouca seriedade, surgiu por acaso, depois de um sem número de tentativas não aceites, mas aglutina museu e arte e são estes os temas dominantes dos escritos que aqui surgem.

Em finais de maio, aceitando o convite para integrar uma plataforma específica para blogues académicos na área das Humanidades, o blogue transitou para a plataforma Hypotheses, da Open Edition.

Ao longo do ano, foram publicados 100 posts (este é o 100.º), os quais obtiveram um total de mais de 31 mil acessos.

WordPress

Hypotheses

TOTAL

Visitas

 ___

9.183

___

Páginas acedidas

10.538

20.569

31.107

Na plataforma WordPress, a maior parte dos visitantes acede a partir de Portugal (72%) e do Brasil (25%).

Na plataforma Hypotheses, os visitantes de Portugal têm baixa representatividade (8%), enquanto os do Brasil são residuais. Em contrapartida, o maior número de acessos provem dos Estados Unidos (40%) e regista-se uma inesperada percentagem proveniente da China (9%).

Distribuição dos acessos às plataformas por países

Distribuição dos acessos às plataformas por países

Atendendo aos resultados, é percetível a diferença de audiências entre ambas as plataformas, pelo que vamos passar a publicar em ambas em simultâneo.

No balanço deste ano, importa sobretudo agradecer a todos os que nos seguem pelo apoio, pelo incentivo, pelas mensagens que têm enviado, pelas partilhas que têm feito dos textos que aqui publicamos e, em particular, à Dália Guerreiro que, sistematicamente, republica em várias páginas e grupos. Destacamos, também, a discussão e as afinidades com a Paula Simões, a Maria Vlachou e a Inês Fialho Brandão, a propósito da disponibilização e da comunicação do património. A todos, muito obrigada.

Espero que, no próximo ano, continuemos a encontrarmo-nos por aqui. Um bom ano para todos. Sejam felizes.
16pompidou_06_2015

Para ir ao museu, todas as razões são boas

A propósito de um artigo de Tiffany Jenkins acerca do acesso das crianças aos museus.

F. e a obra Interior (Papillon Gallery Project)  de Michael Craig-Martin (1993-2012) Paris, Centre Pompidou Foto: MIR, 2013.

F. e a obra Interior (Papillon Gallery Project) de Michael Craig-Martin (1993-2012)
Paris, Centre Pompidou
Foto: MIR, 2013.

Tiffany Jenkins apresenta-se no blogue homónimo como “cultural sociologist, writer and commentator” onde aborda temas nos domínios da cultura, da arte e do património. É considerada sobretudo pela investigação desenvolvida em torno do sentido simbólico e do uso de restos humanos, cuja análise, que abrange aspetos políticos, sociais e éticos, sintetizou na obra Contesting human remains in museum collections: The crisis of cultural authority, publicada em 2011, pela Routledge, onde acaba de publicar, em julho passado, a Political culture, soft interventions and nation building.

No debate Battle of ideias, promovido pelo Institute of Ideas at the Barbican e que irá decorrer nos próximos dias 18 e 19 de outubro, em Londres, Tiffany Jenkins integra o painel de oradores na sessão “Are museums turning into playgrounds?” (19 de out.). Se falar dos restos humanos expostos no museu, apesar de ser um tema sensível, é relativamente consensual, com uma linha de ação definida já pelo Conselho Internacional dos Museus (ICOM), falar do acesso das crianças ao museu já anuncia uma maior polémica e contestação.

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“Cadenas d’amour” (ainda): o peso da realidade ou a fantasia do virtual?

Primeiro, foram as notícias do ritual de fechar cadeados sobre um local público e jogar fora a chave, criando uma analogia com a relação amorosa fechada num elo inquebrável. A pont des Arts, ponte pedestre sobre o Sena, junto ao museu do Loouvre, tornou-se o epicentro deste fenómeno tornado viral (Vd. “Cadenas d’amour” na pont des Arts). No filme Ho voglia di te, do italiano  Luis Prieto, a partir do romance homónimo de Federico Moccia, o par amoroso Step e Babi, cuja história é um encadeamento de encontros e desencontros, prendem um cadeado a um candeeiro da Ponte Milvio, em Roma. Para lá de todas as reflexões acerca da necessidade de criar novas fórmulas ritualizadas para firmar uma união, ou novas formas de representação e exposição do compromisso, da necessidade de assinalar os afetos, um dos aspetos mais relevantes de análise é o cruzamento deste fenómeno com a utilização do património e, atendendo ao peso efetivo dos cadeados, com os riscos de degradação que lhe eram inerentes.

Cadeados na Pont des Arts, em Paris Foto: MIR, 2013

Cadeados na Pont des Arts, em Paris
Foto: MIR, 2013

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