Almada Negreiros e Orpheu

Exposição “Almada Negreiros: o que nunca ninguém soube que houve
Lisboa, Museu da Eletricidade, 12 dez. 2014 – 29 mar. 2015

Exposição “Os caminhos de Orpheu
Lisboa, Biblioteca Nacional de Portugal, 24 mar. – 20 jun. 2015

“Almada Negreiros: o que nunca ninguém soube que houve” esteve aberta ao público no Museu da Eletricidade, de Dezembro até 29 de Março de 2015, assinalando o centenário da revista Orpheu, na qual Almada (1893-1970) teve uma participação fundamental.

Exposição “Almada Negreiros: o que nunca ninguém soube que houve” Foto: Fundação EDP; contemporânea.pt

Exposição “Almada Negreiros: o que nunca ninguém soube que houve”
Foto: Fundação EDP; contemporânea.pt

 

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“Título, autor e data”: o que diz uma tabela?

A comunicação no museu passa pela decifrar o que está exposto. Mas pode uma tabela (( Tende a generalizar-se a designação tabela – há tempo, numas provas de mestrado, o arguente advertiu o aluno para o “erro” de designar “legenda”, um termo desatualizado, em vez de “tabela”. Não obstante, legenda significa, etimologicamente, “as coisas que são para ler, que devem ser lidas” e pode designar a informação escrita que informa, comenta ou ajuda a interpretar uma imagem, pelo que a sua aplicação em contexto museológico não pode ser considerada errada. )) com o registo do “título, autor e data”, por vezes, com o material e as dimensões, traduzir o significado da obra? Permitem, estes dados, descodificar o sentido da obra?

A informação, mesmo quando sucinta e redutora, pode ser redundante e inexpressiva. “Autor desconhecido” pode ser pertinente enquanto não-informação, ou seja, onde é a ausência dos dados o elemento significativo, mas será este um dado definitivo para a compreensão da obra? Também a referência à data, embora a situe numa linha cronológica, fornece, ao visitante comum, alguma informação sobre o contexto em que obra foi criada, ou sobre a complexidade de sistemas culturais, ideológicos, sociais, económicos, que a determinaram a ser daquela, e não de outra, forma?

Tabela da custódia de Belém no Museu Nacional de Arte Antiga Foto: MIR, 2014

Tabela da custódia de Belém no Museu Nacional de Arte Antiga (MNAA)
Foto: MIR, 2014

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Iraque, um lugar de triste perplexidade

“My Nimrod, oh my Nimrod, am I still on earth, the place of sad perplexity?”
Jameson, 1848

Chegam notícias, já sem surpresa, de que, ontem, o grupo Estado Islâmico  do Iraque e do Levante (ISIL) terá saqueado e destruído a zona arqueológica de Dur Sharrukin (Korsabad), a “Fortaleza of Sargon”, construída no início do século VIII a.C. e capital da Assíria no tempo de Sargão II. Terão sido utilizadas várias escavadoras que, além dos palácios de Sargão II e do filho Senaquerib, atingiram outros edifícios e vários templos. No dia anterior, tinham destruído a antiga cidade de Hatra, datada do séc. I a.C, e declarada Património Mundial pela UNESCO; na quinta-feira, arrasaram a cidade de Nimrud, capital do império assírio depois de Senaquerib ter rejeitado Korsabad (Oates & Oates, 2001: 23) e considerada uma das principais descobertas arqueológicas do século XX; na semana anterior, invadiram, pilharam e destruíram o Museu da Civilização, em Mosul, e divulgaram um vídeo onde se viam alguns membros do ISIL a derrubar e partir esculturas pré-islâmicas. Algumas peças eram apenas réplicas, mas outras eram obras originais das épocas assíria e acádia, segundo confirmação da UNESCO.

Destruição em Nimrud.

Destruição em Nimrud.
Foto: The Independent, 8 mar. 2015.

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O Museu de Arte Antiga em discurso direto

Tenho, com o Museu Nacional de Arte Antiga (MNAA), uma antiga relação de amor. Como muitas relações de amor duradoras, também esta é um contínuo desenrolar de encontros e desencontros, de amuos e reconciliações, de exigências e desilusões.

Lisboa, Museu Nacional de Arte Antiga

Lisboa, Museu Nacional de Arte Antiga

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