Um ano de a-muse-arte

No final de 2014, o blogue a-muse-arte cumpre o primeiro ano.

Iniciar um blogue sobre temas de museologia foi um propósito de ano novo. O nome escolhido não era óbvio, remete para pouca seriedade, surgiu por acaso, depois de um sem número de tentativas não aceites, mas aglutina museu e arte e são estes os temas dominantes dos escritos que aqui surgem.

Em finais de maio, aceitando o convite para integrar uma plataforma específica para blogues académicos na área das Humanidades, o blogue transitou para a plataforma Hypotheses, da Open Edition.

Ao longo do ano, foram publicados 100 posts (este é o 100.º), os quais obtiveram um total de mais de 31 mil acessos.

WordPress

Hypotheses

TOTAL

Visitas

 ___

9.183

___

Páginas acedidas

10.538

20.569

31.107

Na plataforma WordPress, a maior parte dos visitantes acede a partir de Portugal (72%) e do Brasil (25%).

Na plataforma Hypotheses, os visitantes de Portugal têm baixa representatividade (8%), enquanto os do Brasil são residuais. Em contrapartida, o maior número de acessos provem dos Estados Unidos (40%) e regista-se uma inesperada percentagem proveniente da China (9%).

Distribuição dos acessos às plataformas por países

Distribuição dos acessos às plataformas por países

Atendendo aos resultados, é percetível a diferença de audiências entre ambas as plataformas, pelo que vamos passar a publicar em ambas em simultâneo.

No balanço deste ano, importa sobretudo agradecer a todos os que nos seguem pelo apoio, pelo incentivo, pelas mensagens que têm enviado, pelas partilhas que têm feito dos textos que aqui publicamos e, em particular, à Dália Guerreiro que, sistematicamente, republica em várias páginas e grupos. Destacamos, também, a discussão e as afinidades com a Paula Simões, a Maria Vlachou e a Inês Fialho Brandão, a propósito da disponibilização e da comunicação do património. A todos, muito obrigada.

Espero que, no próximo ano, continuemos a encontrarmo-nos por aqui. Um bom ano para todos. Sejam felizes.
16pompidou_06_2015

Arte ou conceito? – através da obra de Jeff Koons e Joana de Vasconcelos

No balanço da museologia de arte contemporânea em 2014, salientam-se os nomes de Jeff Koons e de Joana de Vasconcelos. Se ambos são olhados com desconfiança pelos pares e por uma (pseudo) elite artística e intelectual, denunciando a linguagem rudimentar e o discurso mediano da produção mais recreativa do que recreativa – ambos se limitam a alterar escalas, materiais e texturas, apropriando-se das criações de outrem – a verdade é que ambos conseguem o reconhecimento das massas graças a uma produção facilmente reconhecível, compreensível e apreensível. Ambos se situam num registo de Pop Art ou, mais propriamente, na corrente Neo-Pop, e, portanto, a sua obra é essencialmente popular e dirigida a um público alargado, ao homem comum e medianamente informado.

Contaminação  Joana Vasconcelos, 2008-2010 Exposição "Joana Vasconcelos. Sem rede", Museu Colecção Berardo,  Foto: MIR, 2010.

Contaminação
Joana Vasconcelos, 2008-2010
Exposição “Joana Vasconcelos. Sem rede”, Museu Colecção Berardo,
Foto: MIR, 2010.

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2014 in review

The WordPress.com stats helper monkeys prepared a 2014 annual report for this blog.

Here’s an excerpt:

The concert hall at the Sydney Opera House holds 2,700 people. This blog was viewed about 10,000 times in 2014. If it were a concert at Sydney Opera House, it would take about 4 sold-out performances for that many people to see it.

Click here to see the complete report.

A festa do Natal

Nos Evangelhos canónicos, a referência ao nascimento de Cristo é esparsa. Mesmo o evangelista Lucas, dos quatro o mais minucioso, insere-o no tema do anúncio aos pastores.

“E quando eles ali [Belém] se encontravam, completaram-se os dias de ela dar à luz. E teve o seu filho primogénito, que envolveu em panos e recostou numa manjedoira, por não haver para eles lugar na hospedaria. Na mesma região, encontravam-se uns pastores, que pernoitavam nos campos, guardando os seus rebanhos durante a noite. O anjo do Senhor apareceu-lhes e a glória do Senhor refulgiu em volta deles, e tiveram muito medo. Disse-lhes o anjo: ‘Não temais, pois vos anuncio uma grande alegria, que o será para todo o povo: Hoje, na cidade de David, nasceu-vos um Salvador, que é o Messias, Senhor. Isto vos servirá de sinal para o identificardes: Encontrareis um Menino envolto em panos e deitado numa manjedoira”. […] “Quando os anjos se afastaram deles em direção ao Céu, os pastores disseram uns aos outros: “Vamos então até Belém e vejamos o que aconteceu e que o Senhor nos deu a conhecer.’ Foram apressadamente e encontraram Maria, José e o Menino, deitado na manjedoira.” (Lc 2, 6-16)

Natividade Josefa de Óbidos, 1650-60 Col. Particular

Natividade
Josefa de Óbidos, 1650-60
Col. Particular

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La religion comme culture

Conferência apresentada no colóquio « Patrimoines religieux, cultures nationales et pratiques touristiques », Universidade de Évora, 11-12 dez. 2014.

À l’Ancien Testament, Dieu a averti Moïse qu’Il va descendre sur le Mont Sinaï et lui demande de pas laisser l’approximation du peuple: « Tu fixeras au peuple des limites tout à l’entour, et tu diras: Gardez-vous de monter sur la montagne, ou d’en toucher le bord. Quiconque touchera la montagne sera puni de mort.» (Ex 19, 12). Le concept d’interdit s’étend à tout ce qui prend part au rituel de liaison au divin.

Moïse recevant les Tables de la Loi Schedel, Hartmann (1440-1514) - Liber Chronicarum. Miguel Wohlgemuth, Guillermo Pleydenwurff, Albert Durer (?), il. et grav. Nuremberg: Anton Koberger, 1493, fl. 75v.

Moïse recevant les Tables de la Loi
Schedel, Hartmann (1440-1514) – Liber Chronicarum. Miguel Wohlgemuth, Guillermo Pleydenwurff, Albert Durer (?), il. et grav. Nuremberg: Anton Koberger, 1493, fl. 75v.

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Em torno da questão dos mármores do Partenon

Ao fim de tantos anos em exposição permanente no Museu Britânico, um fragmento do frontão ocidental do Partenon de Atenas, a figura alegórica do rio Ilisso  encontra-se atualmente no Museu Hermitage, que comemora 250 anos. Como refere Neil MacGregor, diretor do museu Britânico, num artigo intitulado “Loan of a Parthenon sculpture to the Hermitage: a marble ambassador of a European ideal”, publicado no blogue institucional do museu: “The British Museum is a museum of the world, for the world and nothing demonstrates this more than the loan of a Parthenon sculpture to the State Hermitage Museum in St Petersburg to celebrate its 250th anniversary.” (MacGregor, 2014, 5 dez.)

A figura alegórica do rio Ilisso no Museu Britânico. Foto: Yair Haklai, 2009.

A figura alegórica do rio Ilisso no Museu Britânico.
Foto: Yair Haklai, 2009.

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