O que torto nasce com a real barraca da Ajuda

D. José I (1714-1777)  mandou construir um novo Paço Real, depois de o terramoto de 1755 ter feito ruir o Paço da Ribeira, sem danos para a família real que, na altura, se encontrava em Belém. Foi, por isso, escolhido o local no alto da colina da Ajuda, uma das zonas “mais bem livradas”, que havia demonstrado resistência ao abalo de terra e à invasão do mar, para a construção de um edifício em madeira, dado que D. José, apavorado com o terramoto, não quis voltar a morar em casas de pedra. O novo paço, construído pelos mestres Petrónio Mazzoni e Veríssimo Jorge, ficou conhecido como a Real Barraca e começou a ser habitado em 1794, mas passadas três décadas, em 1794, já no reinado de D. Maria I, foi completamente destruído por um violento incêndio, salvando-se, apenas, a biblioteca e a igreja. O arquiteto José da Costa e Silva foi, então, chamado para chamado fazer os desenhos do novo edifício. A 9 de novembro de 1795, foi lançada a primeira pedra do palácio real a construir, no local da anterior Barraca, segundo projeto de Manuel Caetano de Sousa, mas contando com as colaborações de Joaquim de Oliveira, José da Costa e Silva e Francisco Xavier Fabri, pelo que as obras seguiram de forma descontínua e desacertada, marcadas pelos diferentes pontos de vista dos arquitetos envolvidos no projeto. Finalmente, em 1802, Manuel Caetano de Sousa foi afastado, enquanto José da Costa e Silva e Francisco Xavier Fabri assumiram a apresentação de um novo projeto e foram nomeados arquitetos das Obras Públicas. Ao mesmo tempo, iniciavam-se as encomendas para o recheio e decoração do palácio em que intervieram artistas como Domingos Sequeira, Vieira Portuense, Machado de Castro, João José de Aguiar e o seu ajudante Gregório Viegas, Joaquim José de Barros Laborão e Manuel Joaquim Laborão e os decoradores Manuel da Costa e Giuseppe Viale.

Palacio Real d'Ajuda, em Lisboa / Michellis lith.. - [Lisboa : Lith. de M.el Luiz., entre 1836 e 1850].

Palacio Real d’Ajuda, em Lisboa / Michellis lith.. – [Lisboa : Lith. de M.el Luiz., entre 1836 e 1850].

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Tanto esplendor e glória para tão pouco contar

Exposição “Splendor et gloria: Cinco joias setecentistas de exceção
Lisboa, Museu Nacional de Arte Antiga, 24 set 2014 – 4 jan. 2015

O título da exposição Splendor et gloria: Cinco joias setecentistas de exceção, no Museu Nacional de Arte Antiga (MNAA) sugere e sublinha que esta é uma oportunidade rara. As notas oficiais confirmam o estatuto de singularidade – quer do procedimento museológico, quer da qualidade das peças expostas – através de uma adjetivação superlativada: “Um dos mais ambiciosos projetos do MNAA”, “o esplendor artístico”, “obra-prima”, “dois artistas excecionais”, “peças de exceção”, “um acervo a todos os títulos excecional” (MNAA, 2014a). Nuno Vassallo e Silva, Diretor Geral do Património Cultural, concorre a este discurso laudatório, afirmando que “as peças de assinalável importância artística e patrimonial, são de incontestável primeira água […], fazendo desta exposição uma das mais importantes alguma vez realizada pelo Museu das Janelas Verdes, sob a direção de António Filipe Pimentel” (MNAA, 2014b, p. 9).

Exposição Splendor et gloria Foto: MIR, set. 2014

Exposição Splendor et gloria
Foto: MIR, set. 2014

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A ilha do património entre Belém e Ajuda

António Lamas assumiu, em finais de outubro, a presidência do Centro Cultural de Belém (CCB). Mais do que ocupar o pelouro deixado vago por Vasco Graça Moura, falecido em abril, Lamas tem a missão bem mais vasta de reformular e dinamizar o eixo patrimonial-monumental-museológico das zonas contíguas de Belém e da Ajuda, integrando no projeto o Mosteiro dos Jerónimos, a Torre de Belém, o Palácio da Ajuda, o Padrão dos Descobrimentos, os museus dos Coches, de Arqueologia, de Etnologia e de Arte Popular, os jardins Tropical e Botânico, o Planetário.

Mosteiro dos Jerónimos e praça do Império Foto: MIR, 2013.

Mosteiro dos Jerónimos e praça do Império
Foto: MIR, 2013.

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