Jeff Koons: (o) artista do nosso tempo

Exposição “Jeff Koons: A retrospective
Nova Iorque, Whitney Museum of American Art, 27 jun. – 19 out. 2014

Jeff Koons não costuma gerar consenso. “King of kitsch” ou “master of the over-the-top”, todos conhecem a sua obra e todos o reconhecem como o artista da vulgaridade, das coisas banais do nosso quotidiano, assume a ingenuidade do piroso e foleiro, que reinterpreta, modifica, desproporciona e apresenta como arte. Mas, enquanto para uns, reside aqui o aspeto mais genial da sua originalidade, para outros, tudo isto é apenas um jogo de metamorfoses, a iludir uma falta de criatividade e incapacidade artística. Porém, todos o conhecem e todos identificam o caráter singular das suas obras. Esta marca distintiva que perpassa na obra de um autor é precisamente aquilo que muitos críticos de arte definem como o traço que define o artista.

Balloon Dog (Yellow), 1994-2000 Exp. Jeff Koons: A retrospective. Foto: MIR, 2014.

Balloon Dog (Yellow), 1994-2000
Exp. Jeff Koons: A retrospective.
Foto: MIR, 2014.

Jeff Koons é, em certa medida, o artista que encarnou, também na vida pessoal e social, a substância da pós-modernidade. A matéria que atravessa as suas obras, o mundo onírico, fugaz e superficial que elas evocam, tudo isso é recolhido nas nossas realidades prosaicas e é usado para desmascarar os mitos que vamos construindo para nossa própria defesa. Mesmo os mais desprevenidos, os que não conseguiam ultrapassar o preconceito, avaliando-o através das imagens da sua ligação a Cicciolina, começam a reconhecer a consistência da linguagem de Koons, sem rodeios nem hipocrisias, através da forma como representa a sociedade atual e os seus valores, explícitos ou implícitos.

Em primeiro plano: Bear and Policeman, 1988

Em primeiro plano: Bear and Policeman, 1988
Exp. Jeff Koons: A retrospective.
Foto: MIR, 2014.

Koons é, definitivamente, um dos artistas mais reconhecidos e cotados ((o Balloon dog laranja é a obra mais cara vendida por um artista vivo, ao ter sido licitada, em 2013,  por US$ 58,4 milhões)) da atualidade. Foi um dos primeiros artistas contemporâneos a expor no palácio de Versailles, em 2008 – originando uma polémica que, obviamente, promoveu o artista, a exposição e o palácio – e Whitney Museum of American Art, em Nova Iorque, consagra-lhe, atualmente, uma retrospetiva. Trata-se, simultaneamente, da última grande exposição (e também da mais cara) no edifício projetado por Marcel Breuer, antes de o museu mudar para o novo espaço, agora com projeto de Renzo Piano, em Chelsea, mais a sul de Manhattan. O Whitney retomou a estratégia do MoMA que, em 1980, antes de fechar durante quatro anos para obras de ampliação e reforma, ocupou todo o edifício com uma retrospetiva de Picasso, criando um inevitável cotejo entre ambos os artistas. E, de facto, este é um dos acontecimentos mais relevantes no panorama museológico e cultural da temporada, “o artista deste verão em Nova Iorque” (Pontual, 2014, 15 jul.), com referências por toda a cidade: na Rockefeller Plaza, encontra-se a Split-rocker, uma estátua vegetal de tamanho colossal, meio dinossauro, meio cavalo de balouço infantil. Por outro lado, a H&M, patrocinadora da exposição, criou, em edição limitada, uma mala com o Balloon dog amarelo, exposto no Whitney.

Split-Rocker na Rockefeller Plaza Foto: MIR, 2014.

Split-Rocker na Rockefeller Plaza
Foto: MIR, 2014.

A exposição, com curadoria de Scott Rothkopf, é a primeira grande retrospetiva de Jeff Koons, abrangendo toda a sua carreira, contada através de cerca de 150 objetos, desde 1978 até à atualidade. A narrativa, privilegiando o teor cronológico ao temático, confirma o artista multifacetado, dotado de uma técnica exímia. O próprio museu o refere como o artista que “has pioneered new approaches to the readymade, tested the boundaries between advanced art and mass culture, challenged the limits of industrial fabrication, and transformed the relationship of artists to the cult of celebrity and the global market.” (Whitney Museum of American Art)

Exp. Jeff Koons: A retrospective. Foto: MIR, 2014.

Exp. Jeff Koons: A retrospective.
Foto: MIR, 2014.

Movendo-se entre a escultura e a pintura, entre o ready-made, a pop-art e o hiper-realismo, a exposição confirma que há muito mais, em Koons, do que os enormes corações insuflados ou os gigantescos cães de balões e ramos de túlipas, em cores inusitadas e de alto brilho.

Referências bibliográficas: Pontual, J. (2014, 15 jul.). Exposição faz uma retrospectiva da obra de Jeff Koons em Nova York. Jornal da Globo. Disponível em http://g1.globo.com/jornal-da-globo/noticia/2014/07/exposicao-traz-retrospectiva-da-obra-de-jeff-koons-em-nova-york.html Whitney Museum of American Art (sítio oficial). Disponível em: http://whitney.org/Exhibitions/JeffKoons

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