Os tesouros da Casa de Saboia em Lisboa

Exposição “Os Saboias. Reis e Mecenas (Turim, 1730-1750)
Lisboa, Museu Nacional de Arte Antiga, 17 maio – 28 set. 2014

A exposição chega ao fim no próximo domingo, coincidindo com as Jornadas Europeias do Património, o que faz prever um epílogo com grande afluência, na sequência da popularidade alcançada ao longo dos últimos meses.

Vista da antiga ponte sobre o Pó, em Turim, de Bernardo Bellotto. Foto: Público, Sandra Ribeiro.

“Vista da antiga ponte sobre o Pó”, em Turim, de Bernardo Bellotto.
Foto: Público, Sandra Ribeiro.

Na sequência da exposição “Rubens, Brueghel, Lorrain: A paisagem do Norte no Museu do Prado“, também esta decorre igualmente da parceria entre o Museu Nacional de Arte Antiga (MNAA) e a empresa Everything is New, que assegura o investimento inicial, a museografia e a comunicação, tendo em contrapartida a receita da bilheteira até um montante previamente acordado, a partir do qual se reparte a 50% com a Direção-Geral do Património Cultural (DGPC). De acordo com os dados publicados no sítio eletrónico da Everything is New, a exposição já foi vista por mais de 19.000 visitantes, muito aquém, portanto, dos 80.000 que viram a exposição do Prado.

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Jeff Koons: (o) artista do nosso tempo

Exposição “Jeff Koons: A retrospective
Nova Iorque, Whitney Museum of American Art, 27 jun. – 19 out. 2014

Jeff Koons não costuma gerar consenso. “King of kitsch” ou “master of the over-the-top”, todos conhecem a sua obra e todos o reconhecem como o artista da vulgaridade, das coisas banais do nosso quotidiano, assume a ingenuidade do piroso e foleiro, que reinterpreta, modifica, desproporciona e apresenta como arte. Mas, enquanto para uns, reside aqui o aspeto mais genial da sua originalidade, para outros, tudo isto é apenas um jogo de metamorfoses, a iludir uma falta de criatividade e incapacidade artística. Porém, todos o conhecem e todos identificam o caráter singular das suas obras. Esta marca distintiva que perpassa na obra de um autor é precisamente aquilo que muitos críticos de arte definem como o traço que define o artista.

Balloon Dog (Yellow), 1994-2000 Exp. Jeff Koons: A retrospective. Foto: MIR, 2014.

Balloon Dog (Yellow), 1994-2000
Exp. Jeff Koons: A retrospective.
Foto: MIR, 2014.

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Fotografar é apropriar-se da coisa fotografada?

“Na realidade, que é senão pó tudo isto
que me cerca em tanta prateleira
acumulado?
[…]
O que o homem herda só o pode chamar
seu quando o utiliza [porque] só no uso
consiste a propriedade.”
Goethe. Fausto, quadro 2, cena 5.

Costumo citar esta frase de Goethe, como uma metáfora da nossa relação com o património, isto é, com aquilo que nos foi legado pelos nossos antepassados: se não o usarmos, não nos pertence, no sentido em que o merecimento da posse, ou a apropriação, deriva da sua utilização (e preservação).

O património guardado no museu continua a ser globalmente “nosso” e não de quem o tutela, englobando aqui as o Estado, as instituições, os curadores. O património guardado no museu é, sobretudo, de quem o usa, de quem o procura, o vê, o usufrui, o aprecia. A missão de quem o tutela é apenas essa – a tutela –, para que o possamos legar às nossas gerações vindouras. A nós, que verdadeiramente o usamos, de cada vez que vamos ao museu, ou que o analisamos, estudamos, divulgamos, compete a posse e o usufruto.

A forma como esta posse se manifesta é dinâmica e mantém-se em constante atualização.  Se compararmos os projetos de Hubert Robert para a grande galeria do Louvre, em finais do século XVIII, com a atualidade, as diferenças são de ordem mais quantitativa do que formal: há gente que observa as obras, há quem passe sem as olhar, há quem reproduza as obras e quem os observe…

Projecto para a grande galeria do Louvre Hubert Robert 1796 Paris, Musée du Louvre  © Musée du Louvre/A. Dequier - M. Bard

Projecto para a grande galeria do Louvre
Hubert Robert
1796
Paris, Musée du Louvre
© Musée du Louvre/A. Dequier – M. Bard

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