Pagar, ou não pagar, o acesso à cultura, eis a questão

A questão não é recente. O debate acerca do pagamento da entrada em espaços de cultura e do preço justo dos ingressos não é de hoje, mas torna-se especialmente premente em tempos de crise. Em 2011, Francisco José Viegas, então Secretário de Estado da Cultura, anunciara a intenção de acabar com as entradas gratuitas nos Museus, o que motivou uma forte oposição, nomeadamente, por parte de Isabel Pires de Lima e de Gabriela Canavilhas, que haviam assumido a mesma tutela em Governos anteriores. Também Luís Raposo, na altura Presidente do ICOM, manifestou o seu desacordo, enquanto João Neto, presidente da Associação Portuguesa de Museologia, se pronunciou a favor da medida, defendendo, em entrevista ao pporto, o princípio do “utilizador pagador” (Pporto, 2011, 16 out.). A polémica prolongou-se e, em 2012, João Neto voltou a inflamou a discussão ao defender que o aumento do preço das entradas em museus e monumentos, então a ser preparado pela Direção-geral do Património para o ano seguinte, era imprescindível para fazer face aos custos inerentes. João Neto, na altura, mostrava-se ainda mais redutor do que a própria tutela, mostrando-se contrário à hipótese da gratuitidade nos museus para os desempregados. Em declarações à Lusa, citadas na comunicação social, afirmava: “Não consigo conceber que se paguem ninharias, como se fossem esmolas, porque os museus têm uma riqueza patrimonial e fundamental em termos de conhecimento e de integração das pessoas na sociedade” (cit. in Diário Digital e Lusa, 2012, 28 set.).

Fila de visitantes à entrada da Torre de Belém Lisboa, 2014

Fila de visitantes à entrada da Torre de Belém
Lisboa, 2014

Continuar a ler

Anúncios

Viajar no tempo de Lisboa

Lisboa Story Center, Praça do Comércio, Lisboa
Museu da Cidade, Campo Grande, Lisboa

“Viajar no tempo” não é expressão minha: fui com o F. e a B., 10 e 13 anos respetivamente, e foi assim que o mais novo comentou a ida ao Lisboa Story Center. Há algum tempo tínhamos ido ao Museu da Cidade e aquilo que os dois melhor recordam é que havia lá pavões e que andaram a apanhar penas espalhadas pelo jardim. Do museu? Bem, esse foi um bocado “seca”.

F. no Lisboa Story Center

F. no Lisboa Story Center
Lisboa, 2014

Para que fique assente: estão os dois acostumados a ir a museus e gostam de lá ir, constroem histórias à sua maneira, veem, observam o que lhes chama a atenção, interrogam acerca do que não percebem. Do Lisboa Story Center (será um museu?), gostaram e muito; do Museu da Cidade (será o que se espera, hoje, de um museu?), não gostaram, nem lhes deixou memórias. Se em ambos os sítios, é contada a história de Lisboa, é a forma de comunicar que diverge.

Continuar a ler

A arte ainda existe?

Exposição “Une histoire: Art, architecture et design des années 1980 à nos jours
Paris, Centre Pompidou, 2 julho – 7 mar. 2016

O Centre Pompidou apresenta a exposição “Une histoire: Art, architecture et design des années 1980 à nos jours”, comissariada por Christine Macel, com o ambicioso objetivo de contar a recente história da arte através de mais de quatrocentas peças consideradas “des clefs de lecture sur la création la plus contemporaine” (Macel, 2014). São obras de artistas, arquitetos e designers, de cinquenta e cinco países, algumas delas, obviamente, acabadas de entrar na coleção do museu. Como refere Philippe Dagen, num artigo do Le monde, onde anuncia a contra-história da arte:

“L’exercice est difficile. Il impose de composer avec des données générales et d’autres particulières. Les générales, c’est tout ce qui s’est passé durant la période considérée : la création plastique et architecturale dans son ensemble, en premier lieu, les débats théoriques et critiques, mais aussi, déterminantes, les situations historiques, économiques, religieuses, sociales.” (Dagen, 2014, 17 jul.)

Une histoire: Art, architecture et design des années 1980 à nos jours [cartaz da exposição] 2014

Une histoire: Art, architecture et design des années 1980 à nos jours [cartaz da exposição]
2014

Continuar a ler

Las Edades del Hombre, prémio Patrimonio 2014

A fundação Las Edades del Hombre (LEdH) foi distinguida com o Premio Patrimonio 2014, atribuído pelo Grupo Ciudades Patrimonio de la Humanidad de España (GCPHE), atendendo à “su contribución a la conservación y difusión del patrimonio histórico y cultural, en coincidencia con el 25 aniversario de su primera exposición” (GCPHE, 2014, 12 jul.).

Monasterio de Santa María de Valbuena, sede de Las Edades del Hombre  Foto: Lourdes Cardenal, 2002.

Monasterio de Santa María de Valbuena, sede de Las Edades del Hombre
Foto: Lourdes Cardenal, 2002.

Continuar a ler

Quando o falso se confunde com o verdadeiro

A notícia é que a pintura Odalisca de pantalón rojo, de Matisse, vai regressar ao Museo de Arte Contemporáneo de Caracas, de onde tinha sido roubada. Porém, a questão é mais complexa em torno da gestão e da segurança museológicas, bem como da avaliação (e valorização) da obra de arte.

Odalisca de calças vermelhas Matisse, 1925.

Odalisca de calças vermelhas
Henri Matisse, 1925.

O facto é que, em 2002, se descobriu que a Odalisca exposta no museu era um falso e que, portanto, o original tinha sido roubado e substituído por uma cópia, presumivelmente, três anos antes, sem que ninguém – curadores, visitantes ou guardas – se tivesse apercebido.

Continuar a ler

O brilho da fé

Exposição “O Brilho da Fé: ourivesaria sacra em Bragança
Cascais, Palácio da Cidadela, 26 junho – 7 setembro 2014

A exposição Brilho da Fé: ourivesaria sacra em Bragança, está no Palácio da Cidadela de Cascais, por iniciativa conjunta do Museu da Presidência da República, em parceria com a Diocese de Bragança-Miranda e o Museu do Abade de Baçal, onde foi apresentada em primeira mão.

Não deixa de ser significativa esta aliança entre museus sob a tutela laica do Estado, em particular, aquele que tem como missão a representação da Instituição Presidencial, e a hierarquia eclesiástica diocesana. Importa, por conseguinte, averiguar os benefícios mútuos que daí possam – ou não – resultar.

O brilho da fé [cartaz da exposição] 2014

O brilho da fé [cartaz da exposição]
2014

Continuar a ler