Santo António

Fernando Martins de Bulhões, de seu nome de batismo, nasceu em Lisboa, na última década do século XII. Em 1210, ingressou como noviço da Ordem dos Agostinhos no Convento de São Vicente de Fora e, depois, no Convento de Santa Cruz, em Coimbra, onde cursou Direito. Consta que, ao assistir à chegada das relíquias dos Mártires de Marrocos, se terá emocionado com o exemplo destes frades franciscanos, o que o levou a fazer-se frade na Ordem de São Francisco. A esta mudança de carisma alude uma caraterística específica da sua iconografia em Portugal ou em zonas de influência portuguesa, que o mostram com uma ponta do hábito franciscano levantado, deixando ver a bainha da túnica agostinha.

S. Antonio de Lisboa, espelho de Portugal  C. Duarte Braga, 1960.  D. F. fecit.

S. Antonio de Lisboa, espelho de Portugal
C. Duarte
Braga, 1960.
D. F. fecit.

Com o intuito de pregar e espalhar o Evangelho, viajou por França e Itália. Em 1221, passou a fazer parte do Capítulo Geral da Ordem, por convite do próprio fundador, São Francisco de Assis. Posteriormente, passou por Bolonha e, em seguida, por Pádua, onde morreu, a 13 de Junho de 1231, com cerca de quarenta anos.

A fama que granjeou como pregador e taumaturgo permitiu que fosse excecionalmente canonizado pelo papa Gregório IX, a 30 de maio de 1232,menos de um ano após a morte. Em 1946, o papa Pio XII proclamou-o Doutor da Igreja, o que de resto já era indiciado na iconografia que o apresenta com um livro, reconhecendo a sua importância como teólogo e a amplitude de conhecimentos demonstrada nos seus sermões, com frequentes citações e comentários a fontes bíblicas, patrísticas e clássicas.

A maioria dos seus milagres, porém, refere-se a curas e ressurreições, para além do dom da ubiquidade. Porém parte da sua biografia é lendária, com sobreposições de episódios já referenciados a São Francisco de Assis. É o caso do sermão aos pássaros que, na versão antoniana, surge descrito como o sermão aos peixes: estando em Rimini a pregar perante uma assembleia desatenta, dirigiu-se à praia e começou a falar em direção ao mar atraindo uma enorme quantidade de peixes, cujas cabeças eram visíveis sobre as águas. Ou, também em paralelismo com a aparição de Cristo estigmatizado a São Francisco, o Menino Jesus apareceu a Santo António. Este episódio reflete-se na sua representação iconográfica: tonsurado e com o hábito franciscano, segurando o Menino sentado no braço ou de pé sobre o livro. Por vezes, apresenta um ramo de lírio, atributo de pureza.

Fonte da imagem: http://purl.pt/1119

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s