A propósito de um congresso sobre as novas tendências em humanidades

O XII Congreso Internacional sobre Nuevas Tendencias en Humanidades teve lugar em Madrid na Universidad San Pablo CEU, entre 11 e 13 de junho de 2014, estruturado em cinco temas:
˗   Estudios críticos y culturales
˗   Comunicación y estudios de lingüística
˗   Las humanidades en la literatura
˗   Estudios cívicos, políticos y de la comunidad
˗   Educación y humanidades.

Entrada para o XII Congreso Internacional sobre Nuevas Tendencias en Humanidades. Madrid, Universidad San Pablo CEU Foto: Dália Guerreiro, 2014

Entrada para o XII Congreso Internacional sobre Nuevas Tendencias en Humanidades.
Madrid, Universidad San Pablo CEU
Foto: Dália Guerreiro, 2014

Sessão de abertura pelo Prof. Karim Gherab-Martín. Foto: Dália Guerreiro, 2014.

Sessão de abertura pelo Prof. Karim Gherab-Martín.
Foto: Dália Guerreiro, 2014.

Esperava-se um amplo debate sobre humanidades digitais, assumindo o maior peso concedido aos estudos no âmbito da literatura e da linguística. O que se justifica, atendendo ao facto de que a primeira experiência no âmbito da aplicação da computação foi o projeto Index Thomisticus, desenvolvido desde 1949, pelo linguista Robert Busa. Estranha-se, em contrapartida, a ausência de investigadores em museologia, tendo havido apenas duas conferências relacionadas com museus.

Será lícito concluir que a investigação em museologia ignora o aprofundamento teórico em humanidades digitais? Que os programas e as aplicações digitais utilizadas nos museus ou aproveitando fontes museológicas continuam a ser projetos essencialmente no domínio da informática? Que os investigadores em museologia continuam alheados das novas conjunturas comunicacionais e informacionais? Que não consideram essencial estabelecer uma articulação com estes domínios, recolhendo inferências dos estudos de outras áreas disciplinares? Que a aplicação da tecnologia informática se limita à elaboração de inventários, à disponibilização de imagens em alta resolução ou à criação de visitas virtuais? Que não é necessário o estudo teórico sobre isso? Ou que, simplesmente, as humanidades digitais não têm a ver com o museu e o património?

Em contrapartida, Patricio Nunes Barreiros, ao falar de “A relevância do dossiê arquivístico em edições digitais de documentos de acervos de escritores”, referiu a importância da tecnologia digital para a criação de leituras dinâmicas entre o conteúdo dos acervos e os seus contextos e paratextos, sob pena de se continuar preso a um modelo de “museu expositivo”. Talvez, afinal, esteja aqui a chave para entendermos esta invencível separação entre a tecnologia digital e o museu que pretende continuar a ser, fundamentalmente, um espaço “expositivo”.

O objetivo investigação articulada entre a museologia e as humanidades digitais será a pesquisa de princípios metodológicos que permitam estabelecer um sistema de ligações dinâmicas entre os objetos expostos ou extrínsecos ao museu, os campos semânticos em que se inserem, o universo cognitivo e emocional das audiências. Enquanto (quando ou onde) o desfasamento entre ambos os domínios se mantiver, o museu continua a ser um espaço estático e incomunicacional. Definitivamente, não se afigura razoável que o museu continue a ignorar o paradigma da era digital e das novas formas de comunicar e interagir que são atributo da realidade que sucede à pós-modernidade.

Pode ser que, embora petrificado em modelos arcaicos, continue a existir e a cumprir as funções patrimoniais que lhe estão tradicionalmente atribuídas. Pode ser que se mantenha como um reduto de resistência face ao estilo efémero e superficial de outras intervenções no âmbito da cultura e das artes visuais e performativas. Mas também parece quase certo que, dessa forma, fique condenado a um inevitável arcaísmo – exceto se o impulso da contemporaneidade se impuser ao imobilismo e force a atualização da investigação museológica de acordo com as “novas tendências em humanidades”.

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