No rescaldo da #MuseumWeek: a comunicação do museu em ambiente virtual

A #MuseumWeek chegou ao fim.

Durante 7 dias consecutivos, 630 museus e galerias de vinte países europeus abriram virtualmente as portas e puseram-se literalmente à conversa com um público tão vasto quanto diversificado e interpelativo. Alguns prolongaram a experiência digita para o espaço físico e concreto do próprio museu, integrando públicos reais e virtuais na mesma aventura de conhecer o museu para lá do que é vulgar.

#MuseumWeek

#MuseumWeek

Todos estiveram presentes: dos grandes museus aos mais pequenos e desconhecidos; dos mais urbanos aos mais recônditos; dos mais interativos aos mais observadores; dos mais sérios aos mais lúdicos… Todos estiveram ou passaram por aqui, numa conversa sem constrangimentos (exceto o de fazer restringir a conversa em mensagens de 140 carateres), nem formalismos, trocaram-se impressões, memórias e emoções.

Os museus contaram as suas histórias. Não a grande história, mas os pequenos acontecimentos – o anedotário e o episódico – as curiosidades e as indiscrições que tornam mais rica a existência e mais intensa a vida; aproveitaram para divulgar as fotografias dos lugares que se situam para lá do percurso da exposição pública ou de um tempo antes de ser museu, das mudanças, das transformações, dos recantos mais inacessíveis, dos protagonistas, das coleções, das obras menos vistas, dos detalhes mais imprevistos.

Os públicos também contaram as suas histórias no museu, falaram daquilo que os fascinou e dos objetos e dos espaços que os marcaram, expuseram dúvidas, fizeram perguntas; e também aproveitaram para mostrar as fotografias ao lado das obras, nas salas ou nos corredores, à entrada ou à saída, sós, com a família ou com os amigos, como quem mostra as recordações de tempos felizes.

Nestes moldes, a #MuseumWeek foi uma experiência sem precedentes. No sharypic, Mar Dixon (@MarDixon), um dos grandes dinamizadores desta iniciativa, criou um álbum onde reuniu as 24588 imagens publicadas por 4654 utilizadores ao longo da semana. A LaMagnetica elaborou um relatório dos três primeiros dias, onde registou um total de 104.336 tweets, feitos por 57.740 utilizadores com a hashtag #MuseumWeek.

Se envolveu tanta gente e dinamizou tanta atividade, não é possível ignorar a importância e o impacto do Twitter – ou de outras redes sociais, como o Facebook – na estratégia comunicacional do museu. Não é possível ignorar, nem é recomendável passar ao lado, como se o mundo não estivesse a mudar, como se o nosso quotidiano não conhecesse hoje novas interpelações, como se não estivéssemos todos sujeitos a apelos cada vez mais abrangentes, talvez mais supérfluos, redundantes e vazios, mas alguns seguramente muito aliciantes e fáceis de alcançar com um mínimo de esforço e empenho e, com os quais, o museu tem de competir. Seria um erro pensar que a ação do museu terá de se concentrar apenas nas competências dos novos meios de comunicação, mas não será menos errado supor que pode passar sem elas.

E, no entanto, Portugal esteve oficialmente presente através do Museu do Côa e da Incubadora de Artistas que, na realidade, não é um museu. E os outros? Onde ficaram os curadores que, por cá, são tantas vezes apenas “conservadores”? Certamente, ficaram onde “deviam estar”, a cuidar das coleções, a estudá-las, a mostrá-las aos visitantes. Mas, de cada vez que ignorarem as novas ferramentas da comunicação, estão a desperdiçar uma oportunidade de dialogar com públicos, não só os reais, aqueles que já conhecem o caminho que os leva ao museu, mas os potenciais, aqueles que poderão vir a ser e que precisam de ser aliciados de outras formas, dando-lhes um motivo e despertando-lhes a vontade e o gosto.

Os portugueses não têm o hábito de ir ao museu. Não vale a pena iludir-nos com o êxito de algumas exposições porque, em geral, os museus continuam despovoados num silêncio constrangedor ou com o eco de alguns passos fortuitos numa sucessão de salas vazias. Será, por isso, necessário ultrapassar o lugar onde o museu se fixa, desbravar outros caminhos, percorrer as vias da comunicação virtual e conhecer novas linguagens para que todos (e cada um) encontrem no museu um lugar que possam considerar seu, uma continuação e um complemento aos seus quotidianos e uma resposta às suas expetativas. Dessa maneira, talvez, os museus se possam cumprir na amplitude das suas funções, permitindo que os seus espólios se mantenham vivos através da fruição por parte de um público pluralizado e cada vez mais alargado e interatuante.

3 thoughts on “No rescaldo da #MuseumWeek: a comunicação do museu em ambiente virtual

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