Selfie no museu

17 de março, Accademia delle Belle Arti di Brera, em Milão.
Um visitante, jovem estudante, em visita ao museu, encontrou a escultura Satiro ubriaco [sátiro adormecido], também conhecido como o Fauno Barberini, atribuída à oficina de Antonio Canova, datada de princípios do século XIX e de óbvia referência neoclássica, feita a partir da cópia de um original grego da época helenística, de cerca de 220 a.C., atualmente na Gliptoteca de Munique (Inv. 218). O jovem deve ter achado alguma graça à figura, ou à atitude, com o corpo estirado sobre uma rocha em evidente estado de embriaguez, a cabeça pendida sobre o ombro, o braço direito erguido a servir-lhe de apoio, as pernas despudoradamente abertas…

Sátiro adormecido, conhecido como Fauno Barberini. Cópia em mármore do original feito por um escultor da escola de Pérgamo. C. 220 a.C. Munique, Gliptoteca.

Sátiro adormecido
Cópia em mármore do original feito por um escultor da escola de Pérgamo.
C. 220 a.C.
Munique, Gliptoteca.

Deve ter achado alguma graça, porque resolveu imortalizar o momento à maneira da moda: tirar um selfie.
Primeiro, grande problema: a escultura, em gesso e terracota, era frágil, não aguentou o impulso do jovem e a perna esquerda, oca, destacou-se e caiu ao chão feita em pedaços.

Sátiro mutilado Foto: Nicola Vaglia, Corriere della Serra.

Sátiro mutilado
Foto: Nicola Vaglia, Corriere della Serra.

Imagem da devastação na Accademia di Brera. Foto: Nicola Vaglia, Corriere della Serra.

Imagem da devastação na Accademia di Brera.
Foto: Nicola Vaglia, Corriere della Serra.

Segundo, menor problema: devido a um problema técnico, a câmara de vigilância não captou imagens do sucedido, que só foi descoberto posteriormente, embora haja alegadas testemunhas que apontam para um rapaz, possivelmente estrangeiro, visto junto à escultura.
Terceiro, pequeno problema: o museu desvaloriza o caso, dizendo tratar-se de uma peça de pouco valor (de resto, o plinto está grafitado!), que se encontra num corredor e não numa das salas do percurso museológico.
Moral da história: não tirar selfies com as obras expostas no museu. Que o caso, sucedido com uma peça de “menor” valor e que vindo a ser amplamente divulgado possa servir para alertar acerca da conduta no museu. Defendemos que esta deve ser descontraída, mas isso implica uma maior sensibilização junto do público para um comportamento responsável.

Fontes das imagens:
Sátiro: http://en.wikipedia.org/wiki/File:Barberini_Faun_front_Glyptothek_Munich_218_n2.jpg
Academia di Brera: http://milano.corriere.it/notizie/cronaca/14_marzo_18/brera-studente-si-fa-selfie-statua-ne-spacca-gamba-26669b36-ae7c-11e3-a415-108350ae7b5e.shtml

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