O Tesouro de San Gennaro

Exposição “Le Trésor de Naples:  les joyaux de San Gennaro
Paris, Musée Maillol, 19 março – 20 julho 2014

O Tesouro de San Gennaro é considerado uma das principais coleções de ourivesaria e joalharia existentes no mundo, com um valor patrimonial comparável às joias da coroa de Inglaterra ou de França ou dos czares da Rússia. San Gennaro, bispo e mártir no século III, é o padroeiro da cidade de Nápoles, onde são veneradas as suas relíquias.

Collana di San Gennaro Ouro, prata, gemas e incorporação de joias. Michele Dato, 1679-1879.

Collana di San Gennaro
Ouro, prata, gemas e incorporação de joias. Michele Dato, 1679-1879.

 “Con venticinque milioni di devoti sparsi in tutto il mondo, San Gennaro è il santo cattolico più famoso e conosciuto nel mondo. Il Tesoro a lui dedicato è unico nel suo genere: formatosi lungo settecento anni di storia, grazie alle numerose donazioni, si è mantenuto intatto da allora, senza mai subire spoliazioni e senza che i suoi preziosi fossero venduti.”( Fondazione Roma Arte Musei, 2013)

O tesouro foi instituído em 1527, por um voto da cidade de Nápoles e mediante um insólito contrato firmado notarialmente entre o povo de Nápoles e o santo padroeiro da cidade: a troco da sua proteção contra a peste e as erupções vulcânicas, os napolitanos prometiam a construção de uma catedral e a constituição de um tesouro numa das capelas para guarda das relíquias e onde, ao longo de sete séculos, se recolheram as doações de papas, imperadores, reis, homens ilustres e gente comum.

Em 2003, o tesouro reestruturou-se como museu a partir de um projeto coordenado por Paolo Jorio, atual diretor e antigo jornalista e comunicador de rádio, e financiado por fundos europeus, patrocínios de instituições e doações privadas.

Continuando anexo à catedral, o tesouro continua a pertencer à Deputazione della Real Cappella del Tesoro di San Gennaro e, por inerência à cidade, sem interferência eclesiástica, apesar da proximidade entre ambas.

Em contrapartida, a componente religiosa do espólio tem vindo a diluir-se, sendo considerado, sobretudo, pela excelência do seu conteúdo material. É a qualidade artística do espólio e o valor financeiro que prevalecem na propaganda do museu. Em simultâneo, o conceito de “tesouro” é igualmente esvaziado do seu conteúdo intangível, como tesouro de graças ou do comércio feito entre o fiel devoto e o santo intercessor do favor divino, fazendo sobressair a contabilização monetária. Decorrente deste processo de transferência de valias, entre o sagrado e o profano ou entre tesouro e museu, é a possibilidade de deslocalização da coleção do seu local de origem, junto às relíquias do santo, para uma exposição temporária. Já estivera afastado, no contexto da 2.ª Guerra Mundial, em que, por motivos de segurança, foi enviado e guardado no Vaticano, mas o que agora se anuncia é um projeto deliberado focado na maior visibilidade e divulgação do valor artístico do espólio.

Setenta obras estiveram em exposição no Museo Fondazione Roma, desde finais de outubro, e anuncia-se a próxima apresentação, pela primeira vez fora de Itália, no Musée Maillol, em Paris, de 19 de março a 20 de julho.

Referência bibliográfica:
Fondazione Roma Arte Musei. (2013). Il tesoro di Napoli: I capolavori del Museo di San Gannaro. Disponível em: http://www.mostrasangennaroroma.it/pagine/san-gennaro-roma#sthash.9PrC9LTP.dpuf

Fonte da imagem:
http://www.mostrasangennaroroma.it/media/tesoro-san-gennaro

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