Um lugar à margem

J. Paul Getty Museum,  Kempf, D. (n.d.) Monkeys in the margins. Acedido em: http://www.pinterest.com/gettymuseum/monkeys-in-the-margins/

Durante séculos, ficaram à margem. Longe do olhar, nos capitéis, escondidos na talha das molduras, perdidos entre as ramagens luxuriantes dos manuscritos medievais, ficavam à margem dos temas principais. O macaco, ou o homem selvagem, acompanhados por uma multidão de seres pérfidos ou maliciosos – cabras, porcos, javalis, grifos, sereias, centauros – criavam uma antonímia complementar da representação religiosa. Ao macaco, em particular, atribui-se uma função caricatural da humanidade, mas também uma oportunidade catártica de, através dele, se expressar o seu lado inferior e bestial.

Decorated Text Page (detail), Flemish, 1450s.  J. Paul Getty Museum

Decorated Text Page (detail), Flemish, 1450s.
J. Paul Getty Museum

O J. Paul Getty Museum abre, no Pinterest, o álbum “Monkeys in the margins”, contrariando o modo dissimulado a que estavam votados.

Este é, afinal, um dos aspetos mais fascinantes da representação virtual: trazer, ao perímetro do nosso olhar, fragmentos dispersos e escondidos que o espaço de uma vida seria escasso para reunir sem o aparato da tecnologia; permitir, não só a perceção desse universo recôndito, mas a hipótese de descobrir o detalhe.

Ainda não nos demos conta do alcance da mudança privilegiada destes tempos, mas podemos usufruí-la à medida das nossas vontades. Fica, aqui, a ligação a esse reportório recolhido entre as margens de códices e manuscritos.

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