A materialização do desenho de Piranesi

Exposição “Diverse maniere: Piranesi, fantasy and excess
Londres, Sir John Soane’s Museum, 7 março – 31 maio 2014

Giovanni Battista Piranesi, nasceu em Mogliano di Mestre, junto a Veneza, no ano de 1720, e morreu em Roma, em 1778. Interessou-se por arqueologia e pelos cânones da arte clássica, aprendeu arquitetura e engenharia, completou a formação com o gravador Carlo Zucchi. Chegou a Roma, em 1740, integrado na comitiva do Embaixador de Veneza, e começou a trabalhar como assistente de Vasi, reputado gravador de vedute da cidade, em colaboração com o pintor Panini. Roma era, na altura, um lugar cosmopolita de grande prestígio, passagem obrigatória do Grand Tour, ponto de encontro artistas, escritores e intelectuais de toda a Europa.

Veduta del Pantheon. In Piranesi, G. B. (1756). Le anLeantichità romane, v. 1 antichità romane, v. 1 Roma: A. Rotilj.antichità romane, v. 1 Roma: A. Rotilj.Leantichità romane, v. 1 Roma: A. Rotilj.antichità romane, v. 1 Roma: A. Rotilj.antichità romane, v. 1 Roma: A. Rotilj.

Veduta del Pantheon. In Piranesi, G. B. (1756). Le  antichità romane, v. 1 Roma: A. Rotilj.

Dotado de uma imaginação prodigiosa, conhecedor da arte antiga de Roma, Piranesi produziu as suas primeiras vedute, em pequeno formato, para guias de turistas. Em 1743, publicou as doze águas-fortes da série Prima parte di architettura e prospettive. Foi o início de uma carreira extraordinária e bem-sucedida ao longo de quase quarenta anos, durante os quais produziu mais de mil pranchas publicadas em dezanove obras.

As vedute constituem uma forma específica de pintura, desenho ou gravura que, tendo origem nas peregrinações religiosas à cidade dos Papas no século XVI, teve o apogeu no tempo das Luzes, representando um lugar ou um monumento, sobretudo em Roma e Veneza. Piranesi teve o mérito de alterar os esbocetos de “souvenir” num documento topográfico da Antiguidade, ainda que imbuído do sentido poético associado à ruína, próprio da nostalgia Oitocentista, e refletindo o espírito neoclássico decorrente da redescoberta de Herculano, em 1719, e de Pompeia, em 1748, e estimulado pela obra de Winckelmann.

A inspiração fantasista de Piranesi, bem patente nas pavorosas representações dos carceri, passa também nas imagens das ruínas e dos objetos que desenhou e que continuam a deslumbrar nessas obras a duas dimensões, a preto e branco… Ou não, necessariamente?

No museu Sir John Soane, em Londres, são frequentes as exposições de Piranese. Sir John Soane conheceu Piranese em Roma em 1778, tornando-se colecionador da sua obra, cujo espólio se encontra no museu. Em 2013, esteve a exposição Piranesi’s Paestum: Master drawings uncovered; no passado dia 7 de março, abriu a Diverse maniere: Piranesi, fantasy and excess, focalizada nas artes decorativas.

Aspeto da exposição "Diverse maniere: Piranesi, fantasy and excesso", no museu Sir John Soane, em Londres.

Aspeto da exposição “Diverse maniere: Piranesi, fantasy and excesso”, no museu Sir John Soane, em Londres.

À partida, nada de novo. Exceto que as criações de Piranesi são expostas juntamente com a sua reprodução tridimensional, invertendo um recurso museográfico de ilustrar um conceito inerente a um objeto através de uma representação bidimensional.

A gravura ganha uma nova forma de leitura e de interpretação, ao complementar-se com uma panóplia de objetos, como mesas, cadeiras, candelabros… impressos a 3D pela Factum Arte, de Madrid.

Desenho de Piranesi. In Vasi, candelabri, cippi, sarcofagi, tripodi, lucerne, ed ornamenti antichi disegnati ed incisi dal Cav. Gio. Batt. Piranesi, Rome 1778.

Desenho de Piranesi. In Vasi, candelabri, cippi, sarcofagi, tripodi, lucerne, ed ornamenti antichi disegnati ed incisi dal Cav. Gio. Batt. Piranesi, Rome 1778.

Reprodução 3D, feita pela Factum Arte.

Reprodução 3D, feita pela Factum Arte, em 2010.

A criação de objetos a partir da obra de Piranesi justifica-se pela “obsessive attention to detail and coloured by the connoisseurship that inspired and motivated Piranesi” (Factum Arte, 2011) e insere-se no âmbito de um projeto de pesquisa que tem levado a cabo nos últimos anos, em colaboração com a Fundazione Giorgio Cini, de Veneza. É um processo – ainda – muito oneroso, mas adivinha-se um vasto campo de aplicações na prática museográfica que se pretende cada vez mais sensorial e emotiva.

Sendo mais uma ocorrência da articulação entre museus-arte-tecnologia, é também um tema de investigação no âmbito das Humanidades Digitais, que se prevê profícuo e aliciante.

Referência:
Factum Arte. (2011). A limited edition collection of objects made from designs by Giambattista Piranesi. Acedido em: http://www.factum-arte.com/piranesi/

Fontes das imagens:
[Veduta del Pantheon] http://www.relewis.com/Website%20Sold%20Prints/PiranesiPantheon.html
[Diverse Maniere] https://static-secure.guim.co.uk/sys-images/Guardian/Pix/pictures/2014/3/6/1394140274402/giovanni-piranesi-Sir-Joh-014.jpg
[Altar de Piranesi e reprodução] http://www.factum-arte.com/piranesi/

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