O lado mais luminoso de Edvard Munch

Ao falar do lado negro de Paul Gauguin e ao ver alguns dos desenhos e xilogravuras que vão estar em exposição no MoMA, era inevitável lembrar Edvard Munch e comparar as faces negras e cadavéricas de um com as declinações do rosto contorcido do outro.

Se há ideias preconcebidas e truncadas em relação à obra de Gauguin, também há um preconceito redutor que limita Munch ao estereótipo de O grito.

Em 2013, a exposição Munch 150, comemorativa dos 150 anos do nascimento do pintor e apresentada em Oslo numa ação conjunta do Munch Munsett e do Nasjonalmuseet (onde se encontra O grito), apresentou uma antologia de 250 obras, abarcando todos os períodos e temas estruturantes da sua obra. Para lá do propósito comemorativo, a exposição fundamentava o conceito matricial de que a mistificação em torno de O grito, adquirindo um valor de arquétipo icónico, prejudicou o reconhecimento da sua globalidade enquanto artista. A exposição teve quase meio milhão de visitantes (485.000, mais precisamente), ultrapassando todas as expetativas e também todos os recordes de público de cada um dos museus. Além disso, têm vindo a realizar-se outras exposições comemorativas de menor dimensão, como a que se encontra atualmente, até 9 de março, no museu de Arte Ocidental de Tóquio, que mostra, pela primeira vez, o conjunto das 34 obras de Munch que constam da sua coleção.

A provar a continuação destas iniciativas para lá do pretexto comemorativo, acaba de ser anunciada uma nova exposição retrospetiva no Museo Thyssen-Bornemisza, em Madrid a partir de outubro de 2015. Embora sem a dimensão da Munch 150, está prevista a apresentação de cerca de 70 obras, sendo metade cedidas pelo Munch Munsett e as restantes de coleções privadas, entre pintura e gravura. Não está ainda decidido se O grito da Nasjonalmuseet integrará o guião expositivo, ou se será citado através de outra versão ou de uma litografia, mas a intenção é, novamente, abarcar a amplitude da obra de Munch, sem se fixar numa das suas pinturas. Como refere Paloma Alarcó, citada em El País (2014, 6 mar.): “Pero queremos subrayar que la intención es que se entienda a Munch como conjunto, no por sus iconos”. E também, naturalmente, aproveitar a ocasião para divulgar a obra Atardecer, uma pintura da adolescência de Edvard Munch e que “es considerada es considerada la primera representación de la melancolía en la obra del artista noruego-, a la vez que anticipa sus futuras y más características composiciones simbolistas” (Museo Thyssen Bornemisza, n.d.).

Atardecer Edvard Munch  1888 Óleo sobre tela Madrid, Museo Thyssen-Bornemisza

Atardecer
Edvard Munch
1888
Óleo sobre tela
Madrid, Museo Thyssen-Bornemisza

A conferir, para lá da angústia e das trevas que os infortúnios da vida imprimiram à sua pintura, o lado mais luminoso da obra de Munch.

Referências bibliográficas:
Luis Sucasas, Á. (2014). El Thyssen expondrá una amplia panorámica de Munch en octubre de 2015. El Pais. Retrieved from http://cultura.elpais.com/cultura/2014/03/06/actualidad/1394107218_429547.html Museo Thyssen Bornemisza. (n.d.). Museo Thyssen Bornemisza. Retrieved from http://www.museothyssen.org/thyssen/ficha_obra/920

Fonte da imagem:
http://www.museothyssen.org/thyssen/ficha_obra/920

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