O grilhão do museu

Na noite da passado sábado, o museu Guggenheim foi palco de um protesto levado a cabo por uma coalização de grupos autodenominada Gulf Ultra Luxury Faction (GULF). Durante cerca de 20 minutos, ao longo dos parapeitos da rampa do museu, ergueram faixas e gritaram o protesto contra as condições de trabalho nos estaleiros do Guggenheim Abu Dhabi nos Emiratos Árabes Unidos.

Front cover of an informational brochure distributed during the February 22nd intervention.  Author: Noah Fischer of Occupy Museums.

Front cover of an informational brochure distributed during the February 22nd intervention.
Author: Noah Fischer of Occupy Museums.

Numa composição alegórica, foi pendurado um “manifesto for the action” ao lado do texto informativo acerca da exposição em curso no museu, o Futurismo italiano e a sua utopia para a reforma da sociedade.

Após a questão de abertura ”Is this the future of art?”, o manifesto descrevia o lado mais sórdido da construção do novo museu:

“Guggenheim is expanding its museum empire to a luxury island in Abu Dhabi. The migrant workers labor in 130 degree heat and essentially debt bondage conditions. Human Rights Watch and Call Labor are investigating this exploitation. Culture is not a debt spiral. Art should not violate human rights. Art is not a luxury asset of the 1%. Art is an act of freedom not bondage. Exploitation is not the future of art.”

O manifesto foi logo retirado pelos funcionários do museu, enquanto ainda duravam os protestos, antes da polícia ter chegado e escoltado os manifestantes para fora do museu.

Na sequência dos protestos, o diretor da Solomon R. Guggenheim Foundation, Richard Armstrong, tornou pública a resposta à GULF, esclarecendo que o museu não se encontra ainda em construção, mas adianta que a questão tem vindo a ser debatida e que compartilha as preocupações com os direitos humanos.

Porém, a questão alargou-se: no decorrer da ação de protesto, veio a lume as condições de trabalho dentro do museu nova-iorquino, onde os seguranças recebem 10 dólares por hora, uma remuneração bem inferior à média local. A GULF fala, agora, dos museus como ilhas de luxo exclusivo construídas à custa do esforço de grupos de trabalhadores mal pagos e alienados. Presos a este grilhão, não têm depois um passo suficientemente largo que lhes permita franquear a porta para a fruição destes museus.

Uma visão tão distantes do objetivo seminal do museu democrático, aberto a todos, tendo como objetivo o desenvolvimento de uma sociedade cada vez mais esclarecida e liberta.

Fonte da imagem:
(2014, 24 fev.) Hyperallergic. http://hyperallergic.com/111009/g-u-l-f-responds-to-guggenheim-calls-on-museum-to-open-its-doors-to-free-public-assembly/

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s